Quarta, 08 Set 2010
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Classificação hoteleira: o cliente tem a palavra final Imprimir E-mail
Qui, 08 de Abril de 2010 20:27
 

Por Alfredo Lopes 

 

Não é de hoje que o governo federal tenta criar uma matriz de classificação para os hotéis brasileiros. A quantidade de estabelecimentos e as grandes diferenças regionais são fatores que, até hoje, dificultam qualquer iniciativa que vise classificar e comparar os meios de hospedagem. Embora reconheça ser importante definir uma padronização para a venda de pacotes para operadoras estrangeiras, especialmente agora que o Rio de Janeiro receberá uma série de grandes eventos esportivos, vejo essa obstinação do governo em rever o sistema classificatório da hotelaria com ressalvas.

Desde minha primeira passagem à frente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) e, posteriormente na ABIH-Nacional, sempre me opus ao tema. Embora a discussão seja antiga, minha argumentação à época se mantém atual: estabelecer, via padrões determinados pelo governo, ou mesmo pelo setor, uma classificação aos empreendimentos hoteleiros, é algo, no mínimo, delicado e, acima de tudo, extremamente complexo. Por isso, apesar dos recentes avanços, em que o governo pouco a pouco se mostra mais flexível em suas demandas, mantenho-me atento às perspectivas de implementação do sistema, mas temeroso quanto ao processo e resultados.

A justificativa é simples: o Brasil é um país continental, o que torna qualquer tentativa de padronização de um setor uma tarefa hercúlea. Cumpre acrescentar que não existe nenhum outro tipo de estabelecimento comercial sujeito à classificação oficial no Brasil. Por que, então, a hotelaria deveria ser submetida?

Voltemos, então, ao ponto inicial. Neste país continental, um hotel urbano no Rio de Janeiro, por exemplo, não é a mesma coisa que um similar em Manaus e até mesmo em Belo Horizonte ou São Paulo. Mais ainda: como classificar um hotel ícone do setor como, por exemplo, o Copacabana Palace? Portanto, a chance de haver erros ou injustiças nas avaliações é proporcionalmente igual à dificuldade de classificar os hotéis Brasil a fora, ou seja, gigantesco.

Há ainda outro ponto que merece ser avaliado pelas autoridades: o custo. Pelo que vem sendo discutido, a classificação vai demandar visitas técnicas e auditorias para verificar se o empreendimento analisado realmente se encaixa em todos os critérios estabelecidos pela matriz declarada. Com a confirmação, o MTur e o Inmetro emitem um selo para o hotel, mostrando qual sua categoria e quantas estrelas ele recebeu. Esta primeira classificação, inicialmente sem custos, terá a validade de três anos, podendo ser renovada após este prazo.

Será que esse processo, que envolve de forma contínua, auditorias, fiscalizações e um detalhado processo de análise, não impactará sensivelmente a receita de um pequeno meio de hospedagem – lembrando ainda que ele deve repeti-lo após três anos, quando terá que renovar sua certificação?

Em que pese todas as ressalvas, reafirmo que a ABIH-RJ está aberta a discussões. A participação de toda a hotelaria é fundamental para que se chegue a um consenso. Defendo, no entanto, um modelo em que a classificação seja conduzida única e exclusivamente pelo cliente. Entendo que o próprio consumidor, pela liberdade de escolha, pelo princípio de livre iniciativa, é quem deve ser o senhor de sua decisão, afinal, é ele quem usufrui, e avalia os produtos e serviços oferecidos.

Com o avanço da internet e das atuais mídias sociais, o hóspede está mais próximo do que nunca da informação. Talvez, a opinião de terceiros, partilhadas, por exemplo, no Twitter, ou em um site de relacionamento, seja atualmente muito mais determinante para sua escolha do que propriamente a classificação oficial do hotel selecionado. Não podemos excluir a força crescente que é a opinião do cliente e sua capacidade de repercuti-la em nossa sociedade globalizada. Com esse procedimento, sendo a classificação espontânea e feita pelo próprio estabelecimento creio que finalmente chegaremos ao tão desejado consenso.

 

Alfredo Lopes é presidente da ABIH/RJ

Ex-Presidente da ABIH Nacional

Presidente do Rio Convention & Visitors Bureau

Vive Presidente da CNTur